quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pedro Juan Gutierrez


"Eu era um sujeito perseguido pela saudade. Sempre fora, e não sabia como me desligar e viver tranqüilamente. Ainda não aprendi. É desconfio que não aprenderei nunca. Pelo menos já sei algo valioso: é impossível me desligar da memória. É impossível se desligar daquilo que se amou. Tudo isso estará sempre junto conosco. Sempre teremos tanto o desejo de refazer o bom da vida como o de esquecer e destruir a lembrança do mau. Apagar as maldades que cometemos, desfazer a recordação das pessoas que nos prejudicaram, remover as tristezas e as épocas de infelicidade.É totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. Talvez para a nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, a outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior não importa, mas que será diferente..."
(Trilogia Suja em Havana - Pedro Juan Gutierrez)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CORDIALIDADE


Não penses por favor que a casa é sua.

Aqui a mesa posta
-Venha sempre-
pode ser até agrado,
nada além.Não se engane.

A toalha de renda é de família
mas só abro os armários por vaidade.
Ou vício.Talvez ócio nem sei mais.

Rosas brancas no vaso
para nos enfeitarem
escolhi
as mais escandalosas.

Não faça cerimonia,apareça.
Se você exagerar,o azar é seu.

LUIZA FRANCO MOREIRA.

domingo, 19 de dezembro de 2010

UM LUGAR LEGAL PRA ESTAR (WHEN THE MUSIC STOPS)


Ela me disse casualmente
que havia notado a mancha de sangue na minha camisa
Disse a ela: Não se preocupe, não é nada
Ela respondeu: Eu não tô preocupada
Resmunguei: é melhor assim
Achei que podia me divertir um pouco
assistindo uma luta de boxe na tv
Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque
Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua
Abri uma cerveja e resolvi esperar
Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço
Quando ela voltou, não falei nada
Fiquei no escuro vendo ela se mexer
deixando cair sua saia
no caminho pro banheiro
Deixou a luz acesa e ouvi o barulho
não vou usar de eufemismos nesse momento
pra dizer o que ela estava fazendo
somos um casal com tempo de serviço
nossa indiferença mútua provava isso
meu enorme peso no sofá atestava isso
Ela acendeu um cigarro no escuro da sala
e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse
"é mais difícil do que você imagina", ela disse
e o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer
Ainda ficou um tempo olhando pra mim
antes de vencer o orgulho e perguntar
"O que era a mancha na sua camisa?"
"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"
Ela soltou um foda-se e foi pro quarto,
deitou e ficou fumando olhando o teto
Levantei e fui até o banheiro
Cambaleei e tive que me apoiar na porta
Abri o armário e peguei o mercúrio cromo
ou você não sabia que a maioria das histórias de amor
terminam com alguém limpando as feridas?

Mário Bortolotto

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

poeminha noturnamente urbano


ruído de automóveis
e vozes embriagadas
mais uma canção de gosto duvidoso
ferem a noite que se queria silenciosa

(o caminhão do lixo parece uma locomotiva)

e nada mais há que fazer
senão desistir do poema e janelas
fechadas deixar-se embalar pelo resmungar
(monotonamente familiar) do aparelho de ar condicionado



Márcia Maia

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

textinho cruel qual faca amolada


você eu baby, nascemos portadores dessa tal semente da melancolia. acho que algumas pessoas são assim mesmo, elas até tentam mas não faz parte da carne andar por aí sorrindo a esmo. é sempre um olhar o mundo através de um outro plano. é achar tudo tristemente belo. como se o mundo estivesse sempre com aquela luz difusa de depois que chove. é ouvir um blues constante. a maioria dos nossos amigos são assim,já reparou? talvez seja uma necessidade de se agrupar, para que não nos sintamos tão estranhos, tão alheios. é assim mesmo, não há porque desesperar. é poesia demais, é dor de mais, é subir a pé uma ladeira íngreme enquanto os outros descem de carro na contramão. é assim mesmo baby e não morreremos disso. de cirrose talvez, mas não de amor.

Escrito por Ju Roberto



A foto é da Rua do Lavradio,Lapa,Rj.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ultimo Desejo (Noel Rosa)



Último Desejo (Noel Rosa)

Nosso amor que eu não esqueço
E que teve seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete
Sem retrato, sem bilhete
Sem luar e sem violão

Tudo penso nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero seu beijo
Mas meu ultimo desejo
Você não pode negar

Se alguma pessoa amiga
Pedir que você Ihe diga
Se você me quer ou não
Diga que você me adora
Que você lamenta e chora
A nossa separaçao

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lançamento livro João da Rua


Convite
Lançamento do livro:

O VENENO DO SILÊNCIO (Edições Sebo Vermelho)
Poemas
João Batista de Morais Neto

Local: IFRN - Cidade Alta
Dia 24 de novembro
Às 16h