quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Bambina se foi....


Quem me conhece sabe do meu amor por gatos e cachorros.Perdi um cachorro que me deu o prazer da sua companhia por 17 anos.Hoje tenho uma gata vira lata que já tem 9 anos,mas com muita fé em Deus,ela ainda vai viver muitos anos.Essa semana compartilhei com um amigo a perda de Bambina,a cachorrinha de estimação dele e da sua sobrinha.A dor dele ainda foi maior do que a minha porque o meu cachorro morreu de velhice,não tive que sacrificá-lo,a dele foi para o sacrifício,não havia mais condição,a doença chegara na fase terminal.Ele escreveu um texto lindo e comovente que socializo com vocês;

Faz uma semana que Bambina nos deixou,uma coker spainnell iluminada com suas olheirinhas esvoaçantes e douradas;era nossa alegria e o tormenento de lagartixas e canteiros debaldes,estamos tão sozinhos sem ela que nossas mãos ficaram fazias e a enexorabilidade de sua ausencia pesa-nos.Parece que carregávamos a eternidade ao alçar o saquinho com seu corpo mirrado pela doença e o tormento,é triste dizer adeus,mais triste ainda não poder ter dito,foram 11 anos de silencios cumpliciosos e de um amor surdo e temperado entre risos e folguedos,o único ser que nos remete à infância são os cães,daí que sua ausencia presentida doer como um entardecer precoce.Ficou tudo impregnado de sua ausência,latidos,rosnados,um toquinho de rabo a denunciar felicidade agora é uma saudade sem nexo,nunca falamos nada,raças difusas que eramos,mas parece que sua ida me deixou na garganta um nó surdo de palavras impregnadas de ternuras que se diluiram no tempo,assim espero...
adeus minha querida,vou uivar para a noite em que me velavas.

André Pereira

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

2011



Eu escolho viver, viver dores e decepções, tristezas e crueldades, injustiças e traições, amores e amizades, alegrias grandes e felicidades instantâneas, prazeres imensos e pequenas delicadezas, fracassos retumbantes e superações memoráveis, força insuspeita e resignações necessárias, erros crassos e vitórias incontestáveis. Eu escolho viver tudo, viver os arranha-céus e os meio-fios, as poças na calçada, a lua no céu, a areia nos pés, o caminho em cada passo, as lágrimas todas pelos melhores e piores motivos, as comemorações, as vidas que terminam e as que começam, a doença, a cura, as partidas e as chegadas, tudo o que não vai mais voltar e o que não cansamos de repetir, as noites de sono e de insônia, o escuro do mundo, o silêncio perfeito, o grito, o vento, a imperfeição. Eu escolho viver com todos os aplicativos, todos os itens de fábrica, viver all inclusive, viver o todo, os detalhes, as nuances, as ordinariedades, viver toda e cada coisa. Eu escolho viver, escolho a brutalidade da vida, escolho aceitá-la e aprender com ela, ou me declarar incapaz de entendê-la, mas eu escolho viver mesmo assim. Eu escolho viver e mudar de idéia, eu escolho ser eu mesma e orgulhar-me da vida que vivo, eu escolho viver hoje, que é só o que temos.

Que 2011 seja feito de muitos hojes e que possamos escolher vivê-los todos os dias, um de cada vez, conscientes dos nossos desejos e das nossas escolhas e que não cogitemos nenhuma outra alternativa que não seja ser feliz.

TEXTO ESCRITO POR TICCIA)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Cartas (Caio Fernando Abreu)


Porto Alegre, 10 de agosto de 1985

(…) Somos muito parecidos, de jeitos inteiramente diferentes: somos espantosamente parecidos. E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura. Perdoe a minha precariedade e as minhas tentativas inábeis, desajeitadas, de segurar a maçã no escuro. Me queira bem.
Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim.
Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo,
Caio


Obs: A foto que ilustra essa carta é de Canindé Soares.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

"Canção de Novela"






Canção de Novela

Toalha molhada
Lâmpada acessa
Cidade parada
Tudo é você

Vento na saia
TV ligada
Espelho d’água
Tudo é você

Sol na janela
Canção de novela
Já passa da hora
Eu preciso do seu beijo agora

A luz na cozinha
Toda azulejada
Madruga afora
Tudo é você

Nuvem de chuva
Guitarra plugada
Noite estrelada
Onda que quebra

Sol na janela
Canção de novela
Já passa da hora
Eu preciso do seu beijo

(Adriana Calcanhoto)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Natal na passarela


Nivaldete escreveu um dos melhores textos que li sobre o Natal,confiram:


sentindo um certo vazio melancólico, saiu discretamente da sala em que parentes bebiam, trocavam presentes e risadas, despejou na pia a segunda dose de uísque 12 anos, desarrumou o cabelo lambido de gel, arrancou a roupa de marca, vestiu uma camiseta velha, branca e bem passada, olhou a torta de bacalhau sobre a mesa da cozinha, os salgadinhos, o remédio para azia e dor de cabeça -que o pai certamente tomaria às 10 da manhã-, quis levar a torta, mas achou dispensável -a quem a daria?-, quis se vestir de papai noel, palhaço ou bicho e também desistiu -para quem iria assim se mostrar?-, pensou em comprar a algum camelô solitário todo o seu estoque de presentinhos made in china para dar a quem lhe parecesse necessitado, e de novo abriu mão de mais uma ideia, que não fazia questão de encontrar ninguém, talvez nem a si próprio.
Enfim, saiu de mansinho pela porta de serviço e ganhou a rua. Foi andando, andando, e três quarteirões depois percebeu que trazia a sacola com os presente que ganhara, então abandonou-a num banco de praça e continuou andando. Subiu na primeira passarela e, não havendo qualquer transeunte além dele, parou para contemplar a cidade, que estava se acalmando como um animal que começa a recolher seus barulhos e seus botões de luz corrente. Depois olhou o céu, a lua cheia, os tufos de nuvens lembrando o algodão-doce da infância. Deitou-se na passarela com as mãos cruzadas sob a cabeça e continuou mirando a lua, as nuvens, e foi ficando agradavelmente tonto. Em casa, pensou, se estivessem todos bêbados ninguém notaria sua ausência. Se notassem, iriam ao seu quarto e veriam o cobertor sobre os travesseiros e pensariam que ele estava dormindo. Claro, no dia seguinte o chamariam de descortês. Mas, pela primeira vez, tinha sido gentil com seu espírito.


adormeceu e acordou com o sol no rosto.
e viu: um papai noel de papelão, trazido pelo vento, e que devia ter passado a noite lhe fazendo companhia, acabava de sair voando pelo gradil da passarela.

um menino, desses chamados 'de rua', medalhas de sujo pelo peito, apareceu, rasgou o pão que trazia e lhe ofereceu dizendo come, que é bom.
Postado por nivaldete ferreira .

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Poetas moram dento de seus poemas


Um saxofonista tirando à tarde a canção
que tocará à noite.
Poetas moram dentro de seus poemas.
Alguém nadando no mar quando a gente
perde de vista.
A cantora exaurida subindo as escadas
como os sapatos de salto numa das mãos.
Onde se mede a febre da cidade.
Ouvindo até quase não suportar a faixa
mais linda do disco.

(Marcelo Montenegro)