quarta-feira, 22 de março de 2017

Eunice Arruda




SEGUIMOS
Seguimos esta
viagem
Mas não sabemos o
nome
da próxima
estação
Eunice Arruda
Livro: Tempo Comum - Ed.Pantemporâneo-2015

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A poesia

A poesia

Houve um tempo
em que Schmidt e Vinicius
dividiam as preferências 
como maior poeta do Brasil 
Quando por unanimidade ou quase
nesse jogo tolo
de se querer medir tudo
Drummond foi o escolhido
ele comentou
alguém já me mediu
com fita métrica
para saber se de fato sou
o maior poeta ?

Estava certo
Pois a poesia
quando ocorre
tem mesmo a perfeição
do metro –
nem o mais
nem o menos
– só que de um metro nenhum
um metro ninguém
um metro de nadas

( Francisco Alvim )

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DAS DUAS UMA

DAS DUAS UMA

Para Ana C.

Uma das suas.
Suave lembrança ensina. Não vou morrer até o fim.
Der e vier de garras afiadas, dentes na mão.
Seu livro solta folhas enquanto leio um poema chupado -
você disse isso.
Mais doce na manga o coração: duas antigas.
Antigamente, eu me sentia mais nova do que sou.
Isto me faz lembrar outra frase à porta da igreja.
Esta casa qualquer coisa assim .
aqui está para todos os homens.
To see, to rest, to pray.
E eu também nem nada.
Morri sem saber quem são os 3.
Mas os outros grandes... descobri! São reticentes.
É você
que está ali de roupa clara sorrindo ou fingindo ouvir?
Alguns estão dormindo de tarde.
Coisa ínfima,
quero ficar perto 

Angela Melim

Asas

ASAS

O que este punhal tem de ave
são asas da imaginação
a dor voa mas volta sempre
e pousa em meu coração.

Voa gaivota breve, voa leve
que o mar tem alma secreta
e guarda a carne dos peixes
a solidão do poeta.

(Musicado por Fagner)

Abel Silva

Local

LOCAL

De onde me viria
esta história de o amor
ser de partida?

E esta agonia,
o inquirir de cada olhar
o revés
do esquecimento?

Minha praia é esta
meu convés o litoral
eu sou a minha nau
e o meu descobrimento.

Eu não conheço a dor dos navegantes
nem as areias escaldantes
dos salvados do mar...

Se sou assim desde o primeiro dia
por que fugir de mim
em travessia?

Abel Silva

31 DE DEZEMBRO DE 2005

31 DE DEZEMBRO DE 2005

O último dia do ano deveria ser um dia como outro qualquer.
Sem temores, sem sobressaltos.
Mas entristeci de pensar.
A canallha assovia, a sirene passa
e eu me deito sobre os meus 48 anos.
Da varanda vejo o Tejo.
A noite abriu-se como por encanto.
Há bulício nas casas e nas ruas.
Holofotes e estrelas anunciam
e eu desentristeço de expectativa.
Os barcos são candeias na fragrância das águas.
A meia noite acende os formidáveis fogos.
As auras fosfóreas produzem súbita aurora.
É já manhã na face lisa do Tejo.

Marcio Catunda

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Raymond Carver

  1. O POEMA QUE NÃO ESCREVI - Raymond Carver
  2. Eis o poema que eu iria escrever mais
    cedo, mas não escrevi
    porque ouvi você se mexendo....
    Eu estava pensando de novo
    naquela primeira manhã em Zurique.
    Como acordamos antes do sol nascer.
    Desorientados por um minuto. Mas fomos para
    a varanda que tinha vista para
    o rio e a parte antiga da cidade.
    E simplesmente ficamos ali, calados.
    Nus. Assistindo o céu clarear.
    Tão emocionados e felizes. Como se
    tivéssemos sido colocados ali
    naquele instante.
    ***
    THE POEM I DIDN’T WRITE
    Here is the poem I was going to write
    earlier, but didn’t
    because I heard you stirring.
    I was thinking again
    about that first morning in Zurich.
    How we woke up before sunrise.
    Disoriented for a minute. But going
    out onto the balcony that looked down
    over the river, and the old of this city.
    And simply standing there, speechless.
    Nude. Watching the sky lighten.
    So thrilled and happy. As if
    we’d been put there
    just at that moment.
  3. (Raymond Carver, trad.:Edivaldo Ferreira)